Parece que as transformações e as mudanças têm ocorrido de forma tão acelerada, que fica cada vez mais difícil enxergar o que vemos. É certo que temos visto pouco esse todo que olhamos porque os detalhes, as características, as formas e as qualidades que compõem o todo em suas metamorfoses, se modificam e se diversificam mais rapidamente do que o nosso processo de assimilação.
A tecnologia se auto-transforma e transforma toda a realidade de maneira mais acelerada do que o processo de identificação, estressamento, tomada de atitude, processo de experimentação, análise de resultados, consciência e prática acerca do melhoramento contínuo, que são fases do nosso aprendizado consciente diante de cada novidade.
Jamais enxergamos o todo e o pouco de tudo o que enxergamos pode se passar por discreto em suas singularidades se não o ocuparmos com o exercício de nossa presença: é escrutando que se ocupa. A natureza descritiva, que produz a arte e sua qualidade enquanto cultura, é resultado então desse manejo de diversificar, descrever em características e em volume as suas qualidades.
A sociedade se desenha em vias de um reconhecimento ainda bastante setorizado e pouco abrangente em relação aos valores da diversidade e da diversificação enquanto ativos dentro de um contexto de adaptação e evolução. Mas apesar de discreta aos olhares mais distraídos, ela está presente, por exemplo, em razões sobre:
1- Aspectos produtivos: versando sobre diversidade cultural, no sentido de que realidade compartilhada demanda de enfoque compartilhado ao se propor soluções para consumidores cada vez mais singulares. A comunhão que promove mudanças e adaptações, realiza através do trabalho a sua própria demanda de diversidade ao promover capilaridade na alocação da renda, que não fica retida em bolhas étnicas, raciais ou de gênero por exemplo. Pensar em resultados ideais emerge com o senso de que as trocas culturais tendem a somar novas visões acerca de processos que focam objetivos em constante transformação.
2- Segurança energética: a diversificação das matrizes energéticas é um imperativo de categoria geopolítica. Os países que encontram mais opções por onde diversificar a geração de energia, em especial a energia renovável, tendem a se adaptar ou se antecipar a problemas como choques externos como a flutuação dos preços provocada por guerras, escassez, logística e animosidades entre agentes econômicos internos e externos que impactam no consumo dentro do país e no bem-estar social de seus cidadãos.
3- Potencialidades econômicas: um país que depende de exportação de commodities tende a ficar refém do mercado externo e das flutuações dos preços desse seu ativo no mercado internacional. Por isso a diversificação da matriz produtiva é reconhecidamente um capital que influencia na composição e na solidez da economia de um país.
Em cada caso, a lógica da diversidade endossa a emergência da sustentabilidade e seu alinhamento com boas práticas de governança internacional.
Se “conhecemos algo melhor por intermédio do cativo”, como profere a literatura de Saint-Exupéry, então é preciso povoar a consciência sobre o re-conhecimento dessa lógica associativa para o desenvolvimento estruturado da sociedade, seja em um contexto de economia, de soberania, seja como um ativo moral, social ou também estratégico de âmbito organizacional e institucional, para que, sustentada em um senso de melhoria contínua, ela conduza a novos olhares sobre a importância da diversidade como um elemento viabilizador do desenvolvimento cultural, social e produtivo em uma conjuntura de transformações constantes e aceleradas.
A emergência da diversidade no âmbito das transformações aceleradas