Há algumas semanas uma colega me relatou que tem tido sonhos e passagens em sua cabeça acerca das atividades e exigências do seu novo trabalho. Ela disse que acorda angustiada sem lembrar se algo que tinha prazo havia sido feito ou se havia esquecido de fazer e também se algum trabalho mais detalhado havia sido feito da forma correta.
Eu, que já tive por muitas vezes as mesmas angústias e aflições, sinto que é preciso diferenciar uma coisa que me parece de extrema importância: o quanto dessa aflição decorre de um anseio de perfeição dela e se há uma pressão externa excessiva fazendo-a se cobrar em excesso.
Entendo que uma auto-cobrança pode criar duas condições distintas: a condição de aprendizado e desenvolvimento que decorre dessa busca pelo acerto, e, a condição adversa de aprendizado, que transforma a cobrança em um ambiente próprio para sobrecarga psicológica e confusões em relação a todas as novidades que surgem no ambiente onde o aprendizado precisa ser lembrado como um processo anterior ao fazer-técnico ou o fazer-prático.
Ocorre ainda que é preciso analisar o ambiente, de forma a identificar se há um clima de pressão e de cobranças excessivas tanto entre os membros do grupo entre si, quanto em relação ao aprendizado ou velocidade de aprendizado dos recém chegados, pois ambas as situações criam ou alimentam uma atmosfera de pressão que podem prejudicar o equilíbrio emocional do aprendiz principalmente.
Em ambientes onde existe uma pressão ininterrupta trazida por novidades frequentes, é fundamental que se valorize e estimule a autonomia, a confiança, o tempo e as formas de aprendizado da qual os novatos se apropriam através do exercício de suas liberdades e o contato com os saberes compartilhados, que são o capital intelectual da empresa, e as práticas com as quais lidam em suas funções.
Se por um lado existe o paradoxo em relação a liberdade dos neófitos, fundado na desconfiança de que essa mesma liberdade tira a potência do investimento na mão de obra em cálculos que levam em conta o tempo à disposição da empresa e o retorno financeiro de cada resultado entregue ao longo do dia, por outro lado, redunda a ideia de que os esgotados física e psicologicamente são menos produtivos e reduzem a produtividade do grupo.
Aos mais experientes, situações como essa vivida pela minha colega são um indicativo importante de que existe uma margem de melhora no ambiente, onde se precisa observar a cultura de trabalho para possivelmente reformular as formas de organização do trabalho em vistas de um clima mais favorável e apropriado para o desenvolvimento consciente de novas habilidades e competências.
A rejeição ao erro